3 de janeiro de 2006

Um ano novo

Quando chega dezembro, ficamos num estado de euforia descontrolada, pensando nas compras que devemos fazer, nas roupas que vestiremos, nas viagens, em tanta coisa que esquecemos algo tão essencial que nos passa despercebido: o que significa terminar um ano? Sei que já comentei isso na última postagem, mas esse assunto me incomoda demais. Talvez fossem necessárias várias postagens para tentar exprimir aquilo que me aflige com relação a esse tema.
Corremos tanto, tanto... Não podemos nos concientizar do quanto nossa vida é alienada, em meio a contas, compromissos, exibicionismos?
Outro ano começou. Já estamos em 2006. E tudo vai se repetir? Vamos continuar vivendo como autômatos, olhando para tudo como se se tratasse apenas de números enfileirados no guarda-roupa, na agenda, na conta bancária? Vamos continuar a fazer de Deus somente um feriado no qual, novamente, pegaremos nossos carros e sairemos pelas estradas sem, em qualquer momento, questionarmos o significado das coisas, executando o que nos é imposto por um sistema narcisista e consumista?
Que mundo estamos construindo? Um mundo em que erguer é o mesmo que destruir? Um mundo em que o amor se reduziu a objetos compráveis e vendáveis, a uma troca de secreções equivalente a uma troca de mercadorias ou de favores? Em nenhum instante indagaremos sobre a relevância de tudo isso? Por quanto tempo fitaremos cadáveres e teremos, como única reação, um sinal-da-cruz automático? Quando foi que o ser humano deixou de ser sensível à sua própria vulnerabilidade?

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