8 de março de 2009

DE RELANCE

A língua aguda do amor
corta a madrugada.
Sonâmbulos, os bêbados
olvidam possíveis atalhos
e rastejam pelos muros,
jibóias nos postes.

Uma gata grita de dor
(os outros estão surdos).

Há janelas acesas
para a favela defronte
- nenhuma confessa o pavor.

Em algum jardim,
deceparam-se as rosas.
Restaram, bem longe, muito longe,
jacintos e orquídeas.

Como uma dama-da-noite,
você me abraça...
De repente, percebo
que não sonhava.

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