A língua aguda do amor
corta a madrugada.
Sonâmbulos, os bêbados
olvidam possíveis atalhos
e rastejam pelos muros,
jibóias nos postes.
Uma gata grita de dor
(os outros estão surdos).
Há janelas acesas
para a favela defronte
- nenhuma confessa o pavor.
Em algum jardim,
deceparam-se as rosas.
Restaram, bem longe, muito longe,
jacintos e orquídeas.
Como uma dama-da-noite,
você me abraça...
De repente, percebo
que não sonhava.
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