Já faz tempo nossa última foto
juntos...
Já era um adeus
do presente?
Já era um artigo
de saudade?
Já era nos querermos in memoriam
como se reza uma missa?
Já era um ramalhete de flores
há uma semana sobre o piano?
Já era o Salmo aberto,
a porteira aberta,
os braços abertos?
Já era a luz flagrada
em nudez?
Já era a ruga disposta
na face?
Já era o lugar perdido
na pasta?
O que foi que dissemos,
qual foi o sorriso,
quais foram os olhos?
Um símbolo?
Um anúncio?
Uma promessa?
Oi Binho! Obrigada pela visita.
ResponderExcluirTambém escrevi o meu, está no blog:
Retrato em dó maior.
Já faz tempo nossa última foto juntos.
Usando minhas lentes
você me fazia ver o que desconhecia.
A janela de minha alma aberta à planície,
esgueirada no oculto da floresta,
iluminada pelo infinito céu,
endereçada a destino incerto.
Misterioso esse ser que me arrebata
desaparecendo à luz do dia
só para se fazer presente.
Seus olhos ainda sorririam
embalando uma canção antiga
na invenção de um cais para se soltar.
Difícil sua aventura de homem
decifrando o mapa para não ser devorado.
Coberto pelos brancos lençóis,
calava a dor no peito que, como fantasma,
não deixava de fazer ouvir os seus murmúrios.
Quinze vezes elevou suas preces,
suplicando um momento mais,
uma palavra,
um consolo.
E o que está morto reviveu em sua alma de menino.
Que memória guardará de minhas mãos
se no barro que moldei fiz nascer o amor
e já não era tempo de amar
nem lugar para erguer morada?
Talvez por isso,
não retornou ao porto.
Mergulhou no oceano profundo sem dizer adeus.
Quem sabe, seja melhor assim.
Na foto a lembrança jamais será perdida.
Gostei muito da brincadeira. Os resultados até agora estão muito bons.
Voltarei em breve.
Um beijo,
Denise.