15 de março de 2008

Páthos

A vida tem dúvida de si. E eu duvido de mim. Quisera eu ser como o tronco da mais humilde madeira, estátua para o caleidoscópio do tempo, de todos os fractais do tempo. Meu propósito inseguro de desnudar correntes marítimas e o mistério da morte. A morte de que vive minha angústia. Quisera ter nascido do sexo dos astros, caminhar intimorato e sem escudos pelos bosques do Inominável, tocar curioso e impensativo uma vaga noção de amor, como faria uma criança com asas de fogo. Permanecer incólume ao conflito entre o Verbo e o Ato.
Mas, diante do meu olhar inerte, o mundo, esta casa passageira, me desabita. Sou rebento da sua impotência. Nada se conquista para além da espessa cortina que fere o Cosmos.
E, enquanto minha consciência sofre com o eclipse desses passos exaustos, dessa vista embaciada, vou nutrindo minha alma de comprimidos de Gardenal.

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