3 de abril de 2008

O Sono e a Letra

Por entre as trilhas do inconstantemente
Lavras, fecundas palavras, poeta
As lamas áridas do inconsciente,
Fazes do nada um trabalho de esteta.

Tua visão glauca tornas semente
E mundos constróis de teu ser asceta.
Sabes, porém, a finitude do ente,
Sopro vital que a vida mesma veta.

Dorme, poeta, que teu rosto inerme
Morre na sombra, soçobra na tarde,
Pobre coração que bate mas arde.

Teu canto supera teu fim de verme,
Far-se-á estátua, música da neve,
Poema a tornar o tempo mais leve.

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